domingo, 20 de novembro de 2011

  
 "Tenha sempre bons pensamentos, porque os seus pensamentos se transformam em suas palavras.
Tenha sempre boas palavras, porque as suas palavras se transformam em suas ações.
Tenha boas ações, porque as suas ações se transformam em hábitos.
Tenha bons hábitos, porque seus hábitos se transformam em valores.
Tenha bons valores, porque seus valores se transformam no seu proprio destino!!!"
                                              (Gandhi)


Para lembrar todos os dias... principalmente naqueles mais duros, mais pesados, mais densos... naqueles mais frios e nublados... em todos os sentidos.

domingo, 9 de outubro de 2011

"A casa é sua, por que não chega logo?"

 

Poesia para o final de domingo. Finda aqui também uma semana acinzentada.

sábado, 8 de outubro de 2011

Hoje é dia de céu azul. Lá fora, porque aqui dentro o tom é cinza. Os dias estão pesados. Eles têm sido solitários. Nesses momentos, ser vista como uma grande fortaleza é uma merda, porque as pessoas sempre acham que você está tão bem quanto tenta transparecer naquele falso "tudo bem". Pior que isso, é quando você, diante de dias cinzentos, dia de sorriso guardado, começa a fazer deduções - que, na verdade, são meras consequencias do seu estado de espírito. Aí, realmente, estamos expostos ao perigo de deduzir tudo errado. Por exemplo, hoje eu diria: "as pessoas se cansaram do assunto", "elas esqueceram". Com sinceridade, o dia está tão duro que eu iria muito além dessas "brandas" palavras... Mas nem todos os pensamentos nós podemos tornar grafia, certo? Isso assusta. Não somos educados para os momentos "super-sinceros", mesmo que seja dos nossos melhores e mais amigos. Soa como grosseria, o outro ressente-se. Em dias como esse, quando o sol só está do lado de fora, o melhor é ficar quietinha, no meu canto. Quando o sol de dentro está escondido atrás das nuvens, o bom mesmo é só ouvir, não julgar, não aconselhar, não tentar orientar. O bom mesmo em dias como o de hoje é contemplar o céu azul, sem que me sinta na obrigação de me mostrar esplêndida como ele; é manter o sorriso guardado para o momento que realmente se tiver vontade de sorrir; é deixar que os amigos não te liguem e não fazer deduções precipitadas diante disso. O dia de hoje exige o grande exercício de ficar longe quando o que se necessita é ficar perto. Está pesado. Mas, hoje é dia de solidão em meio a multidão.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011


Cansaço, esgotamento, sono. Olheiras, gripe e quilos a mais. Computadores dando pane. Coisas acontecendo na esfera pessoal, familiar, profissional, emocional. Parece que estou perto mesmo de terminar a dissertação...rsrsrs

domingo, 7 de agosto de 2011

“Qual é o gesto que coloca o seu amor em movimento?”
(Campanha da Natura)

Hoje (06/08/11) eu vi a “pedra dura dissolver”. Foi através de um ato singelo que isso aconteceu. O ato singelo trazia em si a nobreza do ser humano de melhor qualidade. Aqui referencio ser nobre com a nossa prática cotidiana. É uma palavra, o compartilhamento de uma informação, a busca do (auto) conhecimento. Ser nobre hoje em dia é, sobretudo, prezar o humano. Trata-se, fundamentalmente, de insistir e acreditar na humanidade. Obviamente nesse caminho encontraremos gente perversa, que sobrevive do tratamento cruel que dá àqueles que surgem na sua frente. Gente que só tem isso, e se agarra nessa única coisa. Todos precisamos de algo. Sentimento, coisa, pessoa, cultura. Algo. Alguém. Mas somos capazes de fazer escolhas, conscientemente. Nós escolhemos a vida que queremos. Citando Gandhi, somos em nós o mundo no qual desejamos viver. Por que falar isso tudo? Porque admirei a nobreza de uma pessoa que tem estado bastante próxima. Era algo simples, diria que bobo para aqueles desatentos aos detalhes. Quantos de nós teria o cuidado de, oferecendo um objeto emprestado a um amigo, fazer questão de colocá-lo em um saquinho de presente, com direito a laço de fita de pano? Pois é. Surpreendi-me, pois olhando para mim, sendo honesta, acho que eu mesma não seria nobre esse tanto. Dentro do caprichoso embrulho havia também um pequeno bilhete, num envelope. Muito zelo. Poucas frases, porém suficientes para repensarmos se realmente devemos desistir do ser humano: “Caro amigo, espero que faça bom uso. Não se preocupe, porque para mim o que importa são as PESSOAS e NÂO as COISAS. E você como amigo é muito importante. Bjs com afeto.” Vi o amigo ler e reler o bilhete. Observei suas expressões. Fiz algumas leituras delas. E, em síntese, ao ver aquele sorriso admirado, pensei: “O dia já valeu. Afinal vi a “pedra dura dissolver”. Vi uma pessoa que a vida fez ser dura, tentando desumanizá-la, permitindo-se acreditar que sim, ainda existem bons seres humanos por aí”. E isso vale muito mais que qualquer 20 páginas de dissertação. Sempre valerá.

sábado, 30 de julho de 2011

"Quando as pessoas experimentam sofrimentos e dificuldades tendem a se ver como figurantes de uma tragédia. Entretanto, a realidade é que a vida não está isenta de desafios e dificuldades. O que importa é como os senhores abrirão caminho através dos problemas que surgem diante dos senhores e como irão construir-se em pessoas fortes, que nenhum obstáculo derrote. Essa é a chave para conduzir uma vida de grande valor."
(Guia de orientações - LÍDER, vol.24; pag.43)


[Mensagem do dia 31, do calendário que a Aninha me deu. Perfeito para o dia.] 
[opssss... estou tão acelerada que adiantei o dia. rsrsrs]

sábado, 23 de julho de 2011

domingo, 17 de julho de 2011

Quando e como nós protegemos alguém? Ontem eu obtive a resposta para tal pergunta. Nós protegemos despretensiosamente, na maioria das vezes sem a intenção de fazê-lo. Isso significa proteger com o coração. Protegemos ao abrigarmos alguém no nosso espaço, que não é primeiramente físico. Quando protegemos? Quando sequer sabemos que estamos fazendo isso... em uma palavra que a nós pode parecer uma bobagem, em um email, em um telefonema ou em um simples convite para comer um pedaço de pizza numa lanchonete meio fulera da Urca... Também protegemos sorrindo, dançando, brincando. Chorando, ouvindo e brigando. Protegemos falando e silenciando. Em alguns momentos basta um olhar de cumplicidade, como em outros o de reprovação. Tudo isso acontece organicamente. Não há nada de mecânico nesse processo Humano. É simples e complexo ao mesmo tempo, porque não há proteção sem interação, sem relacionar-se com o outro. Para protegermos, considerando que a relação Humana é condição sine qua non, precisamos nos rever, nos questionar, nos movimentar. Precisamos "abrir" a janela, a porta. Ainda que sejamos duros, ainda que sejamos difíceis, ainda que sejamos "tratores" rs. O imprescindível é sempre dar um passo adiante. Sei do que estou falando. Mas sei porque à medida que protegemos também somos protegidos. Ontem, 16/07/11, elaborei isso. Ontem uma grande e importante amiga nesse meu processo de amadurecimento pessoal me fez entender e experimentar com plenitude o movimento da vida. Chorei emocionada ao ouvi-la em um relato para cerca de 40 pessoas que "Queria agradecer a minha amiga Juliana Pereira, companheira que me ajudou a seguir". Chorava mesmo... Porque outro dia desses ela havia olhado no fundo dos meus olhos e falado: "Eu não sei porquê, mas eu gosto muito de você. Muito mesmo." Nesse dia eu respondi com os olhos: "Mas eu não faço nada demais". De fato, eu não tinha dimensão do que aquela simples frase em um rodapé de email significaria para revigorar as forças dela naquele outubro de 2010:



("Ps. Não vou desistir de falar com vc. Continuarei tentando atéé vc me atender..rsrs Eu sou persistente. rsrs")

Hoje eu agradeço. Agradeço a ela por ter ido além da menina marrenta que pareço a primeira instância. E sorrio com leveza ao constatar: ainda bem que eu também não desisti dela. Quando ela sentou ao meu lado, após o seu relato de ontem, e deitou sua cabeça no meu ombro, pensei feliz: "Ela nem imagina que é ela quem me protege..." Sorrio e mais uma lágrima escorre. Sinto-me cuidada, especial, amada. Protetora e protegida. Experimento, novamente, aquele sorriso aliviado e satisfeito, quando concluimos que acertamos nas escolhas que fizemos. Aquele sorriso sereno, que transparece a paz que há dentro de nós por ter trilhado o caminho certo.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Hoje o dia não estava sorridente como o de ontem. Ah, sim... é bom esclarecer: hoje = 14/07 e ontem = 13/07. Algo insistia em TENTAR me puxar para baixo, em azedar-me. Mas, conscientemente, empenhei-me em não deixar isso acontecer. Os amargos e doces da vida também são de nossa responsabilidade e, sendo assim, optei por não render-me a um dia "mais ou menos". Não, não me renderei. Nada me abaterá. Permanecerei de pé, batalhando. Irei em frente, ciente de que encontrarei muitos pedregulhos no caminho. Manter-me-ei fortaleza e farei jus ao carinhoso "tratorzinho" que me apelidaram algumas amigas rsrs... O que é bom, porque trator não estagna na lama; ele não fica ali patinando sem sair do lugar; queimando embreagem; gastando combustível em vão. E como falei ontem para uma dessas amigas, quando necessário ele empurra, puxa ou simplesmente joga na caçambinha e vai embora no “vamo que vamo”...rsrs.  Em síntese, hoje eu estava irritadiça, impaciente, houve até espaço para sonolência.  Mantive o alerta ligado o tempo todo e cuidei. Tomei conta de mim – fundamental em dias como o de hoje. Ao final, já a noite, fui ao cinema com uma amiga. O bom filme, precedido de algumas risadas compartilhadas e de algumas bobeiras faladas, me trouxe para casa menos tensa. A energia do dia ainda me circunda. Entretanto, ela permanecerá, no máximo, assim: à margem e insuficiente para minar a minha fortaleza.

domingo, 12 de junho de 2011

Já me desesperei, já chorei, esperneei, encolhi-me em posição fetal, abracei o travesseiro. Já mandei mensagem para quem não devia, pensei em quem não merecia. Já cogitei não conseguir, não concluir. Ao final disso tudo, cheguei a um único entendimento: sinto-me só nessa empreitada, e pergunto-me se é assim mesmo que deve ser... choro ainda mais ao refletir sobre tal... Eu não sei o que fazer... estou perdida... e meu prazo já expirou... Deus, ascende a luz, por favor! Estou cansada e confusa (extremamente, em vários aspectos). Bebo uma caneca de café e como um pequeno pedaço de bolo de aipim. Chega. Preciso de um banho quente e de uma madrugada de trabalho produtivo. Ainda que Deus insista em manter a luz apagada.

domingo, 5 de junho de 2011

Quantas são as dores e alegrias de uma vida?




Boa música para findar o domingo. Sinto paz ao ouvi-la. Boa descoberta do início deste final de semana. Mas, fica a pergunta.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Eu ia escrever, mas desisti. Sei lá porque. Desisti, recuei. Hoje, eu prefiro o silêncio, a invisibilidade. Diferentemente de ontem, optei por me ausentar de mim. Nada de olhos lacrimejando, nada de músicas que me toquem a alma, nada de divagações sentimentais. Hoje é dia de pé-no-chão, sem direito a sentar num banquinho da Praia Vermelha para contemplar o mar e refletir sobre a vida, sem direito a me perder no horizonte. Hoje foi só um dia. Apenas isso. Nada além. 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A nossa casa esvaziou-se. Cada um retornou ao seu lar deixando no nosso um pouco de si e levando um pouco de nós. Tivemos uma noite agradável. Bastante agradável. Singelamente, comemoramos mais um aniversário do grande chefe dessa família, com o já tradicional jantar e bolo com guaraná. Mas a beleza da vida está aí, nas coisas simples. Não, não está (apenas??) na aquisição de bens materiais caríssimos, que às vezes nos custam a alma. Claro, não significa que a miséria ou a privação permanente a estes bens seja interessante, legal, feliz. Nenhum faminto se sente feliz pela sua fome. Refiro-me, porém, a capacidade que perdemos de admirar a vida nos seus detalhes. Compartilhar momentos, sorrir e chorar juntos, brincar, brindar, celebrar. Sim, agradecer a Deus pela saúde e força que nos mune para abraçar o mundo, para sobreviver nessa selva urbana, onde os bichos mais vorazes são os humanos, onde o maior inimigo pode habitar o nosso próprio interior. Ao findar dias como o de hoje vejo-me no dever de falar "obrigada". Pego-me pensando que já não sou mais tão menina quanto pareço. Dias como o de hoje - especialmente a parte da noite - me trazem a certeza do que não quero para a longa estrada que tenho pela frente a trilhar. Noites como a de hoje obrigam-me a agradecer pela família que tenho, pelos momentos que compartilhamos, pela célula que nos constituimos e que sempre pretendemos ampliar recebendo bem àqueles que nos querem bem. Enfim, tivemos bons momentos juntos. Isso é o que importa, é o que fica, é o que ninguém nos rouba.


quinta-feira, 12 de maio de 2011

Bom "ouvir" isso no dia de hoje:



"(...) vc é é que nem o Ceará [time de futebol que jogou contra o Flamengo] hoje.. quando ta tudo perdido, corre atrás e sai vencedor.. sempre vi vc fazer isso.. "


Levemente, sorrio com alívio. Pelo visto, permaneço a "fortaleza nos momentos difíceis".

domingo, 1 de maio de 2011

Eu não perdi, eu ganhei. Eu cresci, amadureci. Elaborei o que estava em processo de maturação ao longo deste último ano da minha vida. Enfim, eu também dei um passo adiante.
São 3 horas da madrugada. O dia de hoje não foi produtivo, nem alegre, nem de tanta luz... Foi fosco, sem som, sem riso... Estou sem sono. Empenho-me em escrever minhas angústias... Sinto-me, de certo modo, desencantada... Estou começando a achar que não há tantas vantagens em ser “uma garota legal”, “que merece toda a felicidade do mundo”, “que alguém ame muito e faça muito feliz”. Confesso que não é a primeira vez que penso nisso. Estou cansando de ouvir isso. Olho pras garotas que não são tão legais assim (porque traem seus companheiros, são egoístas na relação, interessam-se mais no que eles têm e menos no que eles são etc.)... Não sei se eles percebem isso. Mas, tudo parece fora do lugar. Ser “uma garota especial” está fora de moda? O “cool” é ser escrota? Basta ter o corpinho em dia, as unhas sempre feitas e o salário sempre comprometido com roupas e acessórios que às vezes te transformam em uma Barbie? Sei lá... não costumo ser tão radical assim. Estou beirando a irracionalidade. Estou chateada. Mas, preciso ficar atenta para não me tornar amarga, porque isso é bastante ruim.  

Acho que precisarei voltar a "blogar". Preciso me nutrir de algo, ainda que seja de mim mesma, das "coisas" que saem - e, nessa medida, quando voltam para dentro voltam revistas, recapeadas, recuperadas.

sábado, 23 de abril de 2011

“Eu aprendi que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida. Aprendi que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.”

Charles Chaplin

terça-feira, 29 de março de 2011

AaarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrHrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr - DROGA!!!!!!!!!!!!!!!!!
Pois é, meu querido amigo, cá estou eu novamente. Não, não tenho palavras doces para preenche-lo. Elas são até meio azedas, amargas. Sinto raiva de mim. Sinto-me burra, a mais completa imbecil, idiota. Sinceramente, parece que resta se acostumar com a fulgacidade, a superficialidade, e a dor da solidão. Resta esquecer que fico feliz com o simples fato de saber como foi o dia do meu par e que isso me nutre. Porém, confesso: estou confusa e não sei se consigo.  

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Não passo por bons dias... Só queria saber o que tem me proporcionado tal desânimo... Enquanto isso, esforço-me para sair de casa, do quarto, "de dentro", mesmo sem vontade...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ontem (24/01) sai de casa tendo como destino o município de Itaboraí, a fim de realizar mais uma visita de supervisão, que é parte do meu trabalho. Deveria ser apenas mais um dia em que chego à escola e preencho um questionário com dezenas de bolinhas a serem pintadas com a minha caneta esferográfica. Claro que nunca consegui me manter ou, mais precisamente, me reduzir a uma "preenchedora de bolinhas". Há mais a se fazer para além disso. O campo grita tantas outras questões que aqueles instrumentos não dão conta de atender. Problemas, comentários, sugestões. De alunos, professores, coordenadores, pessoal de apoio, e, por que não, de nós, supervisores. Relatos do dia-dia do ProJovem Urbano, dos seus atores, do que está implicado na execução deste programa, desde os investimentos materiais até os sonhos humanos. Portanto, ontem, dificilmente seria um dia de apenas "pintar bolinhas". Principalmente pela situação presenciada. Causa indignação. É pra qualquer ser menos desumano falar "que absurdo"... Moramos no Rio de Janeiro, onde o calor tem sido intenso, tanto quanto o sol que tem brilhado nos últimos dias. Aliás, lindos dias de céu azul. E quem, diante das altas temperaturas não tem vontade de abandonar as pesadas calças jeans? Quem não deseja vestimentas mais frescas em pleno janeiro no Rio de Janeiro? Pois bem, sendo os jovens alunos do programa tão gente como a gente, também desejam vestir algo mais fresco. E isso se torna bastante relevante e importante quando se considera que alguns deles caminham cerca de 40 minutos, debaixo do sol, para chegar à escola e assistir às aulas. Sim, precisam caminhar porque fica oneroso custear a passagem todos os dias, visto que os Riocards não funcionam nos meses de férias e a bolsa de R$100,00 não caiu para muitos deles nesse mês de janeiro. Não há dúvida de que para essas pessoas vestimentas mais frescas fazem toda a diferença. Ainda mais se considerarmos o fato de que assistirão às aulas em salas quentes, pois há até aquelas em que sequer funciona o ventilador... Apesar disso tudo, mesmo após essa caminhada de 40 minutos, debaixo do sol, no caso de algumas meninas, contrariando o marido para estudar, mesmo que tenham deixado a casa arrumada, a janta pronta, pedindo favor para alguem tomar conta do filho, vi meninas sendo proibidas de entrar na escola!!!! A justificativa? Suas BERMUDAS (3 ou 4 dedos acima do joelho) eram consideradas curtas pela diretora!!!! Sim, cabe a ressalva, trata-se de uma escola MUNICIPAL, um espaço PÚBLICO, que é DIREITO de todos!! Mas, que autoridade tem a diretora para ferir os direitos garantidos constitucionalmente a estes jovens? Direitos estes reforçados na LDB 9394/96? Ela não pode fazer da escola que dirige um espaço com regras à revelia dos direitos dos cidadãos... Não há nada mais paradoxal que umA alunA matriculada em um programa de inclusão ser impedida de entrar numa escola pública municipal. Eram mulheres, negras, morenas, pardas... Pior, não há nada mais angustiante que presenciar alunos implorando para assistir às aulas... implorando para entrar em uma escola que lhe é direito, que é DEVER do ESTADO ASSEGURAR. Em um único dia, 11 alunos foram “barrados” de entrar na escola... No dia da minha visita, a diretora não se encontrava no local, e deixou ordens ao porteiro para impedir a entrada de bermudas acima do joelho...  A corda sempre arrebenta pra o lado mais fraco, né... Afinal, seria bastante fácil para essa senhora dizer que o porteiro pode ter exagerado... Mas ele tava ali, apenas defendendo o seu emprego, cumprindo ordens expressas... A mistura de sentimentos por essa diretora só aumenta a medida que penso nas histórias destes meninos e meninas. Suas vidas não são fáceis. Seus esforços não podem ser desprezados, nem suas esperanças mais uma vez aterradas. Quem disse a ela que está autorizada a constranger e humilhar essas pessoas? Sim, porque isso é uma humilhação. Na verdade, isso é desrespeito. É falta de vontade política. É anti-educação. É tudo isso em um único ato.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Maturidade (Emilia Casas)

Foi o tempo, meu amigo,
Que me fez assim tão bela...
Deu-me um olhar mais doce
Que o amargo não revela

Lambuzou minhas palavras
Com mel da sabedoria
Nem de mim sou escrava
E "ter" não tem mais valia.

Deu-me um sorriso fácil
Que eu distribuo à toa
Se o velho corpo está frágil
A alma criança voa!!!

Escreveu em minha pele
As histórias que eu vivi
Entre glórias e derrotas.
Eis-me aqui - sobrevivi

E livre de toda a ciência
Que o mundo explica e ativa
Deu-me o tempo, por clemência,
O entendimento da vida.



sábado, 8 de janeiro de 2011

Cheguei há pouco em casa. Precisamente, há cerca de 20 ou 30 minutos (comecei a escrever esse post 1h) . Chego de um compromisso do trabalho. Trata-se da formatura dos alunos do ProJovem Urbano, do município de Belford Roxo. Sim, me desloquei por este longo percurso para participar desta celebração. Antes de sair de casa, confesso que tive dúvida se me cabia comparecer a tal evento... O calor, a distancia, a ida e a volta pra casa... Confesso que pensei em tudo isso antes de colocar os pezinhos na rua, rumando Belford Roxo. Fui mediocre. Mas, pensei comigo: "Juliana, o que é isso, diante do simbolismo deste dia na vida dessas pessoas? Não minimize essa luta, a perseverança destes meninos e meninas, homens e mulheres, que conseguiram, apesar de tudo, persistir, insistir, seguir." Diante disso, as outras coisas tornavam-se caprichos meus. Portanto, resolvi pegar o transito, derreter no onibus, pegar o trem, outro onibus... De fato, eu não tenho dimensão do que representa esse dia para esses formandos, dos quais muitos possuem filhos, trabalham duramente, e tem em suas trajetorias escolares as marcas da repetencia, do abandono, da desistencia. Meninos e meninas invisíveis que "perambularam" pela escola, tecendo uma relação de amor e ódio, crença e descrença. Ainda bem que eu estava la pra olhar aqueles rostos, e para registrar na "foto da vida", como diz uma amiga, cenas inesqueciveis, que equacionam o dia de hoje. O que significou para aquela mulher, aparentemente de vida dura, subir no palco para pegar seu diploma carregando seus dois pequenos filhos? Eu posso apenas cogitar o simbolismo disso... Uma longa estrada os espera. Tomara que se mantenham fortes para ir adiante e melhorar suas vidas. Eles merecem. E já mostraram que dificil não traduz impossível, e que acreditar é o primeiro passo. 

domingo, 2 de janeiro de 2011

Rio de Janeiro, 02 de Janeiro de 2011.

Findamos mais um ano. O pesado ano de 2010 termina. Ficam as experiências, os aprendizados. Como aprendi sobre a vida esse ano... Sobretudo, aprendi sobre mim mesma, sobre os meus limites. Ano de viagens, desde aquelas em que não precisamos passar pela porta de nossas casas, até àquelas que deixamos o nosso país... Ano de trabalho, intenso, e, em muitas ocasiões, tenso. Ano de estudo, de noites viradas, de paginas escritas, suadas, árduas. Ano de crescimento pessoal, e emocional. Separação, volta para casa, “desamar” – se é que isso existe. Ano de “deixar pra lá”, de virar páginas físicas dos livros, bem como as páginas que tecem a vida. Novos amigos, horizonte ampliado, a chegada de uma nova Pereira a nossa família. Dor e amor. Choro e riso. Apesar de tudo, não tenho o que reclamar, só a agradecer. Afinal, como desqualificar um ano anunciado por um esplêndido pôr do sol?

01º de Janeiro de 2010. Praia da Ferradura - Búzios/RJ


Que venha 2011! E prefiro sempre dizer: será ainda melhor!