terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Rio de Janeiro, 25 de Junho de 2021. [Publicando um rascunho (propositalmente?) esquecido.]

 Novamente, aqui estamos nós conectados pela escrita. Sempre são as palavras que nos mantém juntos ou separados. E por quê? (Você já sabe usar corretamente o uso do porque/porquê/por que/por quê? Nossa! Como a vida tem porquês!!) 

Eu quero te dizer que não tenho as respostas para os seus questionamentos. Também, lá se vão mais de 2 meses que você colocou "oh, by myself" pra tocar aí na vitrolinha interna (posso usar o termo vitrola para leitores que conhecem a carta, pois não poderão me chamar de "cringe"). Muitas perguntas suas também são minhas, a diferença é que sei usar a regra gramatical dos porquês dessa vida. 


sexta-feira, 10 de julho de 2020



Eu sabia que você voltaria. O que vieste buscar aqui? Lembranças? Novas histórias ou novos desfechos? O que te traz a esse espaço no qual os sentimentos são livres? Talvez, esteja buscando liberdade para os seus. Mas, aconselho-te que o faça com coragem e entendendo que é um processo contínuo, e, interminavelmente conflituoso. Acalma-te, porque aqui neste quintal estamos seguros. Temos a nossa cabana feita com lençóis tão antigos quanto este amor. Amor...Amor... que palavra forte, contundente, abrangente... Causa-nos até um certo temor escrevê-la. Sinto-me ousada. Escrevi-apaguei-escrevi novamente, porque expressar-se é também movimento. Aliás, o que é a vida, senão movimento? Do Latim Movere  “colocar em marcha, mover, fazer deslocar-se”. Preciso terminar te perguntando: Tem você colocado os seus sentimentos em marcha? Engatou a primeira, ou continua engatando a ré? Depois disso, não esqueça de me contar: o que te trouxe aqui novamente? Busca a mim ou a ti?


domingo, 5 de maio de 2019


O que veio você fazer?
Bagunçar a minha cabeça? Confundir o meu coração?
Quantas vezes te contei dos meus traumas? Você veio trazê-los à tona?
Eu apostei que restauraria os meus sonhos, e desenterraria de mim mesma a minha melhor versão, aquela que foi sendo soterrada pelos medos. Eu imaginava que você havia chegado para eu jamais sentir medo novamente!!
Eu respeitei a sua história, acolhi e cuidei para que suas inseguranças nunca mais lhe assombrassem. Eu vigiei a mim mesma para que você sentisse paz; para que você se libertasse das suas mágoas e pudéssemos seguir felizes. 
E você, o que providenciou para o “nós”? Manteve os “nós” do passado, mantendo-se aprisionado no seu sofrimento? 
Eu tinha uma proposta, um sonho, uma esperança. Eu enxerguei em você luz. E você? E você?? O que veio fazer por aqui? Chegou para amar? Para ser amado? Para armar? Para manter-se armado? Eu larguei o escudo, porque não era guerra; por mais que o amor se constitua uma batalha diária pelo outro. Eu só quero ser mais feliz. E você?

domingo, 10 de dezembro de 2017

Rio de Janeiro, 10 de Dezembro de 2017.


Hoje revisitei fotos de algumas redes sociais. Observei-me em diferentes momentos. Deparei-me com olhos brilhantes, preocupados, entristecidos. Vi-me radiante em determinadas fotografias, apática em outras. Uma em especial mexeu comigo. Ela escancarava um sorriso doce. Transmitiu-me um bom tanto de paz e, fundamentalmente, um saudosismo imenso daquela boa energia. Não tinha maquiagem, filtro, ou qualquer outro artificio que utilizamos para "sair bem na foto". Tratava-se, literalmente, de um instantâneo da realidade... um fragmento da vida capturado fidedignamente... Estava linda, leve, feliz. Mesmo em meio a batalhas diárias, que envolviam pessoas, finanças, profissão. Havia naquele retrato equilíbrio, saúde emocional, força. Pareceu-me que eu estava reaprendendo a sorrir para além do Facebook, Instagram, etc. Sorrir  meu riso largo, vibrante, iluminador. Aquele "sorriso-holofote", como já fui apelidada por alguém que, ironicamente, o apagou. 



sábado, 21 de outubro de 2017

E, sem saber, você me fez gargalhar em um dos momentos mais delicados da vida. O sorriso necessário para amenizar o choro de tristeza.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Rio de Janeiro, 14 de Junho de 2017. (23h e 23 min)

Em alguns minutos inicia a data do meu aniversário. Mas, eu que sempre fui festeira, me pego desanimada em realizar qualquer comemoração. Até que investi em uma ou outra tentativa hoje de melhorar. Sem êxito.
Percebo que me perdi de mim, e isso é tão ruim... O momento da vida pessoal não está dos melhores. Ao contrario, é um dos mais tênues. Depois de meia noite, nada haverá. Nada de parabéns, de surpresas, de mimos. A casa está caótica, igualmente a mim. Está vazia, representando-me no meu sentimento de solidão diário. Sem café da manhã com pães e queijo fresco. Sem almoço-torta-melhores amigos e família. Sem muito sentido. Sem, sobretudo, a Juliana como ela é.

quinta-feira, 13 de abril de 2017



Rio de Janeiro, 12 de Abril de 2017.

No início de 2017 virei a chave. Da noite pra o dia, sai de um extremo ao outro (geograficamente, funcionalmente, felizmente). Após 10 anos de formada e atuando na área da Educação, mas nunca na sala de aula, assumi em fevereiro deste ano uma turma de 2º ano numa escola pública municipal. Inicialmente assustador, afinal de repente eu teria ali, na minha frente, sob a minha responsabilidade, cerca de 30 vidas, 30 sonhos, 30 infâncias.... E eu jamais estaria ali para dilacerá-los (nem as vidas, nem os sonhos, tampouco as infâncias). Prefiro oferecer “materiais” para erguer os castelos. Mas, sabe aquele slogan “O desafio é a nossa energia”? Então, sou euzinha, materializada. Onde estão os desafios, é pra lá que eu vou rs. Engana-se quem vai para a escola pensando que será responsável apenas pelos conteúdos. E nesses quase 3 meses apreendi algumas coisas.
Eu aprendi que a escola, sobretudo a pública municipal, é para os profissionais que entendem de gente. Lá é lugar para quem tem a sensibilidade apurada, ainda que no dia-a-dia, nas nossas salas de aula, sejamos duras com os nossos alunos.
Além disso, percebi que é o local de gentilezas e de parcerias. Com pouco tempo de escola, passei um sufoco e tive a ajuda de muitos!
A escola pública municipal é para quem topa desafio, para quem não desiste apesar das dificuldades, para quem tem a oferecer compromisso, afeto e alegria àquelas crianças as quais muitas vezes só tem ali para sonhar...
Lá é lugar onde temos a opção de manter o outro como ser invisível social, ou arrancá-lo dela com um simples bilhete: “Gustavo, você é importante!” (escrevi para o meu aluno, e abriu-se instantaneamente um sorriso que mesclava surpresa e alegria no seu rosto. Talvez ele nunca tenha ouvido isso). Isso significa que fazer a diferença pode ser de graça, e em pequenos gestos.

O trajeto é longo, o gasto de combustível é alto, é calor na sala. Mas, eu tô feliz. E, confesso, tem dias que entro no carro, tiro minha capa de “super-brava”, e choro emocionada com as crianças.