sábado, 25 de setembro de 2010

Os dias têm sido mais suaves, ainda que carregados de tensões sobre trabalho e mestrado. Sem dúvida, eles têm me parecido mais leves. Eu tenho sorrido mais, e mais do fundo. Um riso que está menos no rosto e mais na alma. Ainda que nos últimos dias eu tenha ficado submetida a uma carga de trabalho de 40 horas ininterruptas, eles me foram agradáveis. Posso dizer que me senti mais em paz, comigo mesma. Outras coisas estão implicadas aí, mas não quero explicitá-las aqui. Sensação de que os tais "dias melhores virão", expressão de acalento de tantos amigos e familiares, estão próximos a mim. Apesar de todo o cansaço, de tamanha sobrecarga, encontro um momento para agradecer por ter força e sabedoria para levar adiante as oportunidades que me apareceram. E, apesar de tudo, me pego cuidando, como uma amiga postou no seu orkut, "pra não perder aquele riso largo".

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Acabo de chegar em casa. Hoje começamos uma nova etapa da vida. Não, não me refiro à minha vida amorosa, mas ao meu núcleo familiar. Minha mãe fez uma operação que aguardava há cerca de 15 anos. Acho que agora ela terá outra qualidade de vida. Isso me deixa bastante feliz. A volta pra casa, no entanto, nos trouxe uma situação desconcertante, desagradavel, dispensável... Estivemos na mira de dois fuzis, e não se trata de uma tentativa de assalto. Esquecemos de acender a luz de dentro do carro. É regra. Haviamos esquecido. Confesso que me amedrontei. Meu pai parecia chocado com a cena, e não conseguia obedecer a "ordem" de "para o carro" e "acende a luz, porra". Ficamos todos tensos. Tinhamos motivo pra isso. Ele ficou, perceptivelmente, desconfortavel, talvez com um sentimento de humilhação. Afinal, é um cara que trabalhou duramente desde os 9 anos, sempre correto, sempre preocupado em não trilhar um caminho torto. Ela [minha mãe] chorou. Chorou. Teve medo. Ficou nervosa. A vi triste. A vi mais uma vez com o rancor de ainda morar aqui nessa merda. Com razão. Compartilhei um pouco de cada sentimento. Tive vontade de chorar, mas não podia. Naquele momento, passada a tensão, restando apenas o constrangimento, precisava afagar ela que chorava: "mãe, ja foi, já passou." Precisava fingir que é isso aí. Precisava fingir que isso faz parte. Entretanto, minha cobrança foi além. Tenho parte nisso. Eles não tem mais necessidade de passar por isso. Não os quero ver envelhecer desse modo. Percebo que ainda tenho muito trabalho pela frente. Não mais quero ve-los refem dessa porra. Não desejo envelhecer e morrer aqui.
Estou enlouquecendo. E isso não é uma figura de linguagem qualquer.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

"O tempo é daqui pra frente. Ele não volta mais."
(PASSOS, A. P)
Passo por dias turbulentos. Dificeis. De desequilibrio e descontrole emocional. Sim, tive vontade de desistir de tudo, do mundo. Mas, cheguei a conclusão de que seria covardia. Seria desonesta com as pessoas que se empenham tanto em me manter de pé. Essas pessoas apostam em mim. Perante elas, sou uma fortaleza, um motivo de orgulho, ainda que também me permitam meus momentos de fragilidade e fraqueza. Portanto, não seria correto abandona-las, deixa-las se perguntando "onde erraram". Prefiro continuar sendo o orgulho. Têm sido doloridos os ultimos dias. Me deparar com determinadas situações se tornou trauma, caminho para a loucura. Estou desestabilizada. A tal dissertação de mestrado paralisada. Dei-me conta de que não estou conseguindo, sozinha, seguir adiante com a vida. Pedi ajuda, da pessoa mais doce, amiga e do bem que tenho o privilegio de poder contar. Fizemos um trato. Comprometi-me com ela. E não quero desaponta-la. Sim, ela é uma das pessoas mais respeitosas com o outro que conheço. E foi isso que combinamos: o respeito a si e ao outro. Portanto, tenho o desafio de abafar sentimentos, descontroles, desequilibrios. É como se eu fosse olhar para a vida com certa indiferença, fingindo que ela não me causa grandes sensações, fingindo que não estou suscetível a ela, fingindo que tenho total controle de meu corpo e minha mente. Um tipo de desprezo por esse tal amor. Sabe aquela cara de paisagem? Então, é com ela que devo olhar para o momento atual. Sabe fingir que não sinto nada ao saber que tem outra pessoa dormindo no cantinho que eu cuidava com todo zelo? É isso. Parece o caminho. Falando parece possível. Talvez até seja. Mas, pra isso, acredito que todas essas coisas não poderão ser fingimento... Como mentir a mim mesma? Eu saberei. Mas, enfim, tenho um desafio. Um grande desafio. Entretanto, o maior deles é, fingindo ou tornando isso tudo verdades dentro de mim, me manter pessoa, o tal frágil ser humano, permanecer Humana. Confesso que tenho medo de não conseguir.