Hoje é dia de céu azul. Lá fora, porque aqui dentro o tom é cinza. Os dias estão pesados. Eles têm sido solitários. Nesses momentos, ser vista como uma grande fortaleza é uma merda, porque as pessoas sempre acham que você está tão bem quanto tenta transparecer naquele falso "tudo bem". Pior que isso, é quando você, diante de dias cinzentos, dia de sorriso guardado, começa a fazer deduções - que, na verdade, são meras consequencias do seu estado de espírito. Aí, realmente, estamos expostos ao perigo de deduzir tudo errado. Por exemplo, hoje eu diria: "as pessoas se cansaram do assunto", "elas esqueceram". Com sinceridade, o dia está tão duro que eu iria muito além dessas "brandas" palavras... Mas nem todos os pensamentos nós podemos tornar grafia, certo? Isso assusta. Não somos educados para os momentos "super-sinceros", mesmo que seja dos nossos melhores e mais amigos. Soa como grosseria, o outro ressente-se. Em dias como esse, quando o sol só está do lado de fora, o melhor é ficar quietinha, no meu canto. Quando o sol de dentro está escondido atrás das nuvens, o bom mesmo é só ouvir, não julgar, não aconselhar, não tentar orientar. O bom mesmo em dias como o de hoje é contemplar o céu azul, sem que me sinta na obrigação de me mostrar esplêndida como ele; é manter o sorriso guardado para o momento que realmente se tiver vontade de sorrir; é deixar que os amigos não te liguem e não fazer deduções precipitadas diante disso. O dia de hoje exige o grande exercício de ficar longe quando o que se necessita é ficar perto. Está pesado. Mas, hoje é dia de solidão em meio a multidão.