Nossa! Quanta poeira há por aqui! Não tenho dúvidas que dedico-me bem menos a esse meu espaço tão paradoxal, pois na mesma medida que me expõe pelo avesso, constituindo-se tão íntimo, também está exposto mundialmente. Ainda não sei o porquê abandonei-me de mim, digamos assim. Abandonar-se de si é quando entubamos as insatisfações cotidianas e não cuidamos para que elas não nos corroam, por dentro e por fora. Por fora é fácil detecta-las: basta observar o sorriso forçado, o olhar desviado, o silêncio meio a tantos ruídos internos... Mas falar de "dentro", em todos os sentidos que essa expressão permite, é uma tarefa mais complexa. Lá dentro, cada um sabe as frustrações que carrega. Cada um de nós sabe das suas dores, dos seus medos, da sua falta de maturidade para tratar determinados assuntos. É difícil espiar "dentro" de um lugar onde é preciso permissão para entrar. Portanto, como saber dos anseios, das expectativas, dos sonhos, das apostas? Pergunto-me se isso é tangível, ainda que façamos um grande exercício de alteridade. Enquanto isso, sou corroída por dentro. Dolorosa e solitariamente. Sim, porque essa é uma jornada que se faz só. Não há respostas prontas, tampouco claras. Mas, eu continuo o caminho, com pedra, sem pedra, na pedra. Com luz, sem luz, na luz. Com dor, sem dor, na dor. Aqui, do lado de dentro, as coisas não estão boas. Mas, quem quer saber? "Sorria, você está sendo filmado." "Apenas acene."
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