sexta-feira, 11 de maio de 2012

3 kilogramas... O peso do dia... A sobra, aquilo que não deveria estar ali, ou melhor, aqui. A constatação, seguida de profunda angústia, precisou ser validada por duas subidas em balanças diferentes, em bairros diferentes, em estabelecimentos diferentes. Uma sombra perturbadora passa a me acompanhar. Certo desespero me assola, principalmente por observar a inércia que o corpo se recusa a enfrentar. Do lado de dentro, só eu sei o quão doloroso é revisitar esse trauma. Sinto saudade da segurança daquela menina inteligente, da confiança no "ser humano acima de tudo", daquela que acreditava que o mundo era de grandeza infinitamente maior que um conjunto de Barbies, Kens, Suzis e afins circulando, se juntando, se pegando... Sinto muito que essa menina tenha, de algum modo, se perdido em meio as suas dores, resultantes das porradas da vida... Hoje, há alguma dose de ceticismo no seu discurso, às vezes amargo por sentir-se escrava desse mundo infinitamente menor do que ela sonhara. Sente-se descrente, principalmente naquilo que ja chama de "coisa", " aquela coisa de amar pra sempre". Questiona-se e chora. Se por um lado arrancaram-lhe a ingenuidade na marra, por outro o fizeram também com parte da sua doçura. Como subterfúgio, para sobreviver, provavelmente de forma inconsciente, ela mescla a menina de doces ilusões e a cética mulher que se constituiu, buscando abrir uma brecha na realidade que está posta, tentando trilhar o caminho do meio (ainda que isso não seja fácil). Mesmo diante das dores impublicáveis, ela segue. Apesar dos tropeços.

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