quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Acabo de chegar em casa. Hoje começamos uma nova etapa da vida. Não, não me refiro à minha vida amorosa, mas ao meu núcleo familiar. Minha mãe fez uma operação que aguardava há cerca de 15 anos. Acho que agora ela terá outra qualidade de vida. Isso me deixa bastante feliz. A volta pra casa, no entanto, nos trouxe uma situação desconcertante, desagradavel, dispensável... Estivemos na mira de dois fuzis, e não se trata de uma tentativa de assalto. Esquecemos de acender a luz de dentro do carro. É regra. Haviamos esquecido. Confesso que me amedrontei. Meu pai parecia chocado com a cena, e não conseguia obedecer a "ordem" de "para o carro" e "acende a luz, porra". Ficamos todos tensos. Tinhamos motivo pra isso. Ele ficou, perceptivelmente, desconfortavel, talvez com um sentimento de humilhação. Afinal, é um cara que trabalhou duramente desde os 9 anos, sempre correto, sempre preocupado em não trilhar um caminho torto. Ela [minha mãe] chorou. Chorou. Teve medo. Ficou nervosa. A vi triste. A vi mais uma vez com o rancor de ainda morar aqui nessa merda. Com razão. Compartilhei um pouco de cada sentimento. Tive vontade de chorar, mas não podia. Naquele momento, passada a tensão, restando apenas o constrangimento, precisava afagar ela que chorava: "mãe, ja foi, já passou." Precisava fingir que é isso aí. Precisava fingir que isso faz parte. Entretanto, minha cobrança foi além. Tenho parte nisso. Eles não tem mais necessidade de passar por isso. Não os quero ver envelhecer desse modo. Percebo que ainda tenho muito trabalho pela frente. Não mais quero ve-los refem dessa porra. Não desejo envelhecer e morrer aqui.