quinta-feira, 13 de abril de 2017



Rio de Janeiro, 12 de Abril de 2017.

No início de 2017 virei a chave. Da noite pra o dia, sai de um extremo ao outro (geograficamente, funcionalmente, felizmente). Após 10 anos de formada e atuando na área da Educação, mas nunca na sala de aula, assumi em fevereiro deste ano uma turma de 2º ano numa escola pública municipal. Inicialmente assustador, afinal de repente eu teria ali, na minha frente, sob a minha responsabilidade, cerca de 30 vidas, 30 sonhos, 30 infâncias.... E eu jamais estaria ali para dilacerá-los (nem as vidas, nem os sonhos, tampouco as infâncias). Prefiro oferecer “materiais” para erguer os castelos. Mas, sabe aquele slogan “O desafio é a nossa energia”? Então, sou euzinha, materializada. Onde estão os desafios, é pra lá que eu vou rs. Engana-se quem vai para a escola pensando que será responsável apenas pelos conteúdos. E nesses quase 3 meses apreendi algumas coisas.
Eu aprendi que a escola, sobretudo a pública municipal, é para os profissionais que entendem de gente. Lá é lugar para quem tem a sensibilidade apurada, ainda que no dia-a-dia, nas nossas salas de aula, sejamos duras com os nossos alunos.
Além disso, percebi que é o local de gentilezas e de parcerias. Com pouco tempo de escola, passei um sufoco e tive a ajuda de muitos!
A escola pública municipal é para quem topa desafio, para quem não desiste apesar das dificuldades, para quem tem a oferecer compromisso, afeto e alegria àquelas crianças as quais muitas vezes só tem ali para sonhar...
Lá é lugar onde temos a opção de manter o outro como ser invisível social, ou arrancá-lo dela com um simples bilhete: “Gustavo, você é importante!” (escrevi para o meu aluno, e abriu-se instantaneamente um sorriso que mesclava surpresa e alegria no seu rosto. Talvez ele nunca tenha ouvido isso). Isso significa que fazer a diferença pode ser de graça, e em pequenos gestos.

O trajeto é longo, o gasto de combustível é alto, é calor na sala. Mas, eu tô feliz. E, confesso, tem dias que entro no carro, tiro minha capa de “super-brava”, e choro emocionada com as crianças.

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